A atual conjuntura política brasileira coloca diversas problemáticas frente a
participação popular nos rumos políticos. Neste contexto conturbado e de intensa
agitação, realizou-se entre os dias 22 e 24 de abril de 2016 o II Seminário Nacional
de Negras e Negros da CSP-Conlutas, em que diversas entidades sindicais e
populares se reuniram no Rio de Janeiro/RJ para pensar conjuntamente o papel do
protagonismo negro neste momento de crise, seja ela política, econômica ou social.
As discussões realizadas acerca da necessária unidade política das diversas
entidades presentes no evento, perpassou por uma análise conjuntural, em que
houve a denúncia dos ataques sofridos pela juventude e pelos trabalhadores e
trabalhadoras negros, onde tanto por parte do governo federal quanto dos governos
estaduais e municipais há uma sistemática tentativa de retirada de direitos, desde os
trabalhistas aos sociais.
Ao ser pensado a composição étnico racial brasileira, em que mais de 50% da
população se declara como negra, é impossível não se pensar nas representações
políticas e em sua composição étnico racial, em que, evidencia-se de maneira
gritante, a grande ausência dos negros e negras nos espaços de tomadas de
decisões.
À partir disto, percebe-se então que para além do recorte racial evidente,
outro fator fundamental de divisão se encontra na questão econômica, em que a
elite brasileira, na sua esmagadora maioria composta por brancos, perpetua-se
como grupo hegemonicamente dominante, dominando além dos meios produtivos, a
política e os seus rumos.
O II Seminário Nacional de Negras e Negros da CSP-Conlutas serviu portanto
como um fundamental espaço para o fortalecimento de uma perspectiva classista da
discussão racial, em que ao se levar em conta o exposto acima, percebe-se a
necessidade urgente da elaboração de um novo campo de luta, que se distingua
tanto do governo do Partido dos Trabalhadores e sua política reformista e de aliança
com a burguesia, quanto de sua oposição de direita.
As discussões se organizaram portanto, à partir da clareza da necessidade da
elaboração de um novo campo político, em que os diversos setores historicamente
postos à margem, como as mulheres, indígenas, LGBTs, negros e negras passem a
assumir os rumos das tomadas de decisões, rompendo de maneira definitiva com
este modelo político e seus representantes que há seculos se perpetuam na política
nacional.
O Núcleo de Estudos Ameríndios e Africanos-NEAA esteve presente neste
espaço de discussão, em que a militância política de membros do Núcleo
possibilitam esta inter relação, entre a militância e a vida acadêmica, fazendo a
fundamental incorporação no ambiente universitário das discussões surgidas à partir
de espaços populares de debate, como o II Seminário Nacional de Negras e Negros
da CSP-Conlutas.
Pedro Dall’Agnol Ribeiro
Integrante do NEAA
LINKS
:
http://pt.slideshare.net/neaaunicentro/anticiganismo-os-ciganos-na-europa-e-no-brasil
http://anais.unicentro.br/conifil/#tabs-6
http://www.4shared.com/dir/xdf9fMPz/ABC_do_Continente_Africano.html
https://picasaweb.google.com/109466304434140473394/PrincesaArabelaMimadaQueSoEla
http://www.4shared.com/office/YU1auws6/Brasil-frica_-_Histria_Histori.html
http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/livro1_HistoriadaAfrica-03.09.2010.pdf
https://picasaweb.google.com/109466304434140473394/Feijoada



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